domingo, 30 de junho de 2013


Esse é o nosso mundo
Correria, desespero, equívocos e desesperanças.
Basta um sorriso, no entanto, um gesto, um olhar comprometido e se faz o milagre.
O milagre de sentir-se humano, como sempre deveria ser.
Não gosto dos presentes, prefiro as presenças.
Dependesse de mim, viveríamos unidos.
Passaríamos horas a fio, jogando conversa fora.
Atiraria minhas pedrinhas nos lagos, roubaria frutas na casa do vizinho.
Não desconfiaria das pessoas e celebraria a comensalidade.
Usaria muito do meu tempo com Neruda, Drummond, Winnicott, Bocage e Shakespeare. Não dispensaria a Bíblia.
Usaria os jornais para dar brilho aos vidros do carro.
Sairia, feito louco, declarando meus amores e acariciando os desesperançados.
Provocaria um motim nos hospitais, nas clínicas e nos balcões dos serviços públicos. Exigiria respeito.
E, com o tempo, quando minhas forças se esgotassem, escolheria uma árvore, uma bela e frondosa árvore, cuja sombra me servisse de colo.
Fecharia meus olhos.
Respiraria fundo.
Terminaria em paz.
18/01/2005 – Waldir







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