FALSOS DILEMAS
Waldir Carlos Santana
dos Santos (escrito em 13/09/2002 16:19, na LACE)
O tema me é sugerido por uma música do Luis Melodia.
Quantos e quais são os atuais dilemas da humanidade?
Seriam eles legítimos?
A que e a quem servem?
Um de nossos dilemas atuais é o da construção de uma
sociedade inclusiva – aquela que oferece igualdade de oportunidades; aquela em
que as diferenças são motivo mais que suficiente para a apreciação de nossa
característica essencial que é a pluralidade. Não a pluralidade em termos de
condições de vida concreta, mas a pluralidade constitucional, ideológica e
existencial. Apelássemos para uma visão estritamente democrática, tal qual o
termo insistentemente costuma ser utilizado, teríamos muito que lastimar – aliás,
o que temos feito além de lastimar?
Óbvio, me parece, discutir a questão de uma sociedade
inclusiva a partir de considerações que tratem das minorias representativas –
não as estatísticas.
Pensemos no caso de nossas universidades – grandes centros
de reprodução de conhecimentos científicos. A que atitudes buscamos
influenciar?
Certamente, não investimos na formação de consciência
crítica, pois nos é muito penosa a idéia de termos que nos deparar com as
chatices e inconveniências daquelas perguntas tolas de nossos alunos –
perguntas de criança. Isso me faz lembrar de Rousseau.
Tal qual crianças, alguns de nossos alunos nos chegam com o
entusiasmo característico de quem é jovem; falam sobre suas expectativas; seus
projetos e sobre a “utopia” de se tornarem ótimos profissionais, capazes de
desvendar todos os mistérios que emperram nossos avanços humanitários. Pobres e
tolos sonhadores.
Não demora muito e lançamos nossas garras sobre seus sonhos,
fazendo-os despertarem para a vida adulta. Impomos limites aos seus sonhos,
pois limite é fundamental. Frustramos suas expectativas, já que uma boa dose de
frustração é fundamental para a constituição de uma capacidade noética
compatível ao nosso tempo.
Aprendam conosco, desregrados infantes.
Cadê o segurança?
Esta nota baixa é o reflexo de sua ignorância!
Aprenda comigo, faça o que digo!
O que faço não é de sua conta!
E assim vamos progredindo, ampliando nossas instalações,
criando novos cursos, contratando mais e mais funcionários. Deus abençoa os bem-sucedidos!
Não fale, não discuta, não questione, vá para o gueto de
convivência; lá é o lugar permitido para sorrir, para falar em voz alta. Não
toleramos seus sorrisos fáceis, é preciso fazer cara e parecer-se preocupado –
essa é a máscara que nos cai bem.
Tratando a todos como iguais, massacramos os resquícios de
criatividade que ainda teimam em permanecer nesse mundo das instituições. Mundo
da racionalidade.
Onde está sua coerência?
Interessante notar como as nulidades têm fácil acesso ao
poder!
- “Como dizia fulano, a ‘complexibilidade’ estrutural da
formação geral de grupos aleatoriamente formados justifica o fato de estarmos
vivenciando o atual estágio de soberania dos ideais idiossincráticos formadores
das prosopopéias digitais do mundo informatizado. Reinicializemos nossas
mentes, de forma a alcançarmos a plenitude do êxtase de sermos
sócio-juridicamente fundamentais para o ‘alavancamento’ da integração
macro-cósmica dos organismos transcendentalmente formados; blá blá blá”.
Words words
words... tantas construções de
linguagem sem sentido!
E assim a linguagem nos salva, enquanto aprisiona nossos
tutelados. Despejamos nossos pleonasmos e neologismos, nossas figuras de
estilo, num verdadeiro giro de 360º.
Nota: O Alce que apoia as quatro patas sobre o solo é uma estátua.

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