São Paulo, 09 de
outubro de 2007
DEFICIÊNCIAS E
EUGENIA
Waldir Carlos Santana dos Santos
Eu tenho um discurso pronto, há tempos, que está aberto para
reformulações, revisões ou até mesmo auto-extinção. Graças a ele, me foi
possível pular a cerca, por várias vezes, até chegasse o momento em que me
parecia que a “cerca” não tem sentido algum.
Se não há cercas, não se faz necessária a cerca.
Meu discurso não é politicamente correto; ele não se presta
a agradar ou reafirmar convicções.
Tudo fica registrado na memória. Este é um momento
inesquecível em nossas vidas, como todos os outros o são. É por isso que
trabalhamos a favor da reconstrução de EU de pessoas concretas com ou sem
deficiências.
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HUMANO
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MÁQUINA
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DEFICIÊNCIA
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DEFEITO
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IMPREVISÍVEL
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PREVISÍVEL
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COMPREENSÃO
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CONSERTO
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Práticas Convencionais/ortodoxas ® TRATAR
Práticas Contemporâneas/heterodoxas ® COMPREENDER
As práticas ortodoxas se assentam
no ideal de homem, com base no processo histórico e ampliado nos momentos
críticos, como no caso das Grandes Guerras Mundiais. À guisa pedagógica,
costumamos identificar tais práticas como relacionadas ao Paradigma da
Reabilitação.
As práticas heterodoxas também
têm seu processo histórico observável, mas têm íntima relação com o movimento
revolucionário empreendido pelas próprias pessoas com deficiências.
Politicamente Correto ® agências de emprego;
sistemas de cotas; classes especiais; tratamentos...
Principalmente a partir do
processo de redemocratização do país e com mais intensidade na última década Þ
equívocos; boas e más intenções; filão de mercado/segmento consumidor...
Prefiro tratar as pessoas em sua
totalidade e não pelos lucros ou incômodos que me podem causar.
O êxito da prática ou diagnóstico não é mais importante do
que a satisfação do paciente. Não devemos nos deixar levar por elogios,
títulos, textos etc. O valor do nosso trabalho está exatamente naquilo que ele
produz, e não simplesmente na sua correspondência com um ou outro sistema
teórico. Isso tem muita correspondência com o Paradigma da Vida Independente.
Muitos têm abandonado a fidelidade às classificações, a
favor de estudos e postura mais contextualizadora. A própria AAMR inovou nesse
sentido. (10ª edição do Manual). A apresentação da CIF é um belo exemplo de que
a mentalidade tem mudado. Ao invés da mera descrição, há uma intenção de se demonstrar as possibilidades das
pessoas. Aguardemos, pois, pelo que virá.
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