domingo, 30 de junho de 2013

DEFICIÊNCIAS E EUGENIA

São Paulo, 09 de outubro de 2007

DEFICIÊNCIAS E EUGENIA
Waldir Carlos Santana dos Santos

Eu tenho um discurso pronto, há tempos, que está aberto para reformulações, revisões ou até mesmo auto-extinção. Graças a ele, me foi possível pular a cerca, por várias vezes, até chegasse o momento em que me parecia que a “cerca” não tem sentido algum.
Se não há cercas, não se faz necessária a cerca.
Meu discurso não é politicamente correto; ele não se presta a agradar ou reafirmar convicções.

Tudo fica registrado na memória. Este é um momento inesquecível em nossas vidas, como todos os outros o são. É por isso que trabalhamos a favor da reconstrução de EU de pessoas concretas com ou sem deficiências.

  
HUMANO
MÁQUINA
DEFICIÊNCIA
DEFEITO
IMPREVISÍVEL
PREVISÍVEL
COMPREENSÃO
CONSERTO

Práticas Convencionais/ortodoxas ® TRATAR
Práticas Contemporâneas/heterodoxas ® COMPREENDER

As práticas ortodoxas se assentam no ideal de homem, com base no processo histórico e ampliado nos momentos críticos, como no caso das Grandes Guerras Mundiais. À guisa pedagógica, costumamos identificar tais práticas como relacionadas ao Paradigma da Reabilitação.
As práticas heterodoxas também têm seu processo histórico observável, mas têm íntima relação com o movimento revolucionário empreendido pelas próprias pessoas com deficiências.


Politicamente Correto ® agências de emprego; sistemas de cotas; classes especiais; tratamentos...

Principalmente a partir do processo de redemocratização do país e com mais intensidade na última década Þ equívocos; boas e más intenções; filão de mercado/segmento consumidor...

Prefiro tratar as pessoas em sua totalidade e não pelos lucros ou incômodos que me podem causar.

O êxito da prática ou diagnóstico não é mais importante do que a satisfação do paciente. Não devemos nos deixar levar por elogios, títulos, textos etc. O valor do nosso trabalho está exatamente naquilo que ele produz, e não simplesmente na sua correspondência com um ou outro sistema teórico. Isso tem muita correspondência com o Paradigma da Vida Independente.


Muitos têm abandonado a fidelidade às classificações, a favor de estudos e postura mais contextualizadora. A própria AAMR inovou nesse sentido. (10ª edição do Manual). A apresentação da CIF é um belo exemplo de que a mentalidade tem mudado. Ao invés da mera descrição, há uma intenção de se demonstrar as possibilidades das pessoas. Aguardemos, pois, pelo que virá.

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